Josemaría Escrivá Obras
444

Conscientes dos nossos deveres, como podemos passar um dia inteiro sem nos lembrarmos de que temos alma? Da meditação diária deve nascer a retificação constante, para não sairmos do caminho.


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Se se abandona a oração, primeiro vive-se das reservas espirituais..., e depois, da trapaça.


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Meditação. - Tempo certo e a hora certa. - Senão, acabará adaptando-se à nossa comodidade: isso é falta de mortificação. E a oração sem mortificação é pouco eficaz.


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Falta-te vida interior: porque não levas à oração as preocupações dos teus e o proselitismo; porque não te esforças por ver claro, por tirar propósitos concretos e por cumpri-los; porque não tens sentido sobrenatural no estudo, no trabalho, nas tuas conversas, no convívio com os outros... - Como andas em matéria de presença de Deus, conseqüência e manifestação da tua oração?


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Não?... Porque não tiveste tempo?... - Tens tempo. Além disso, como é que serão as tuas obras, se não as meditaste na presença do Senhor, para bem orientá-las? Sem essa conversa com Deus, como é que acabarás com perfeição o trabalho de cada jornada?... - Olha, é como se alegasses que te falta tempo para estudar, porque estás muito ocupado em dar uma aulas... Sem estudo, não se pode dar uma boa aula. A oração está antes de qualquer coisa. Se o entendes assim e não o pões em prática, não me digas que te falta tempo: muito simplesmente, não queres fazê-la!


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Oração, mais oração! - pace uma incongruência agora, em época de provas, de mais trabalho... Precisas dela: e não só da habitual, como prática de piedade; oração também durante os tempos mortos; oração entre ocupação e ocupação, em vez de deixares correr o pensamento entre bobagens. Não faz mal se - apesar do teu empenho - não consegues concentrar-te e recolher-te. Pode valer mais esta meditação do que aquela outra que fizeste, com toda a comodidade, no oratório.


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Um costume eficaz para conseguir presença de Deus” em cada dia, a primeira audiência, com Jesus Cristo.


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A oração não é prerrogativa de frades: é incumbência de cristãos, de homens e mulheres do mundo, que se sabem filhos de Deus.


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Sem dúvida, deves seguir o teu caminho: homem de ação... com vocação de contemplativo.


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Católico, sem oração?... É como um soldado sem armas.


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Agradece ao Senhor o enorme bem que te outorgou ao fazer-te compreender que “uma só coisa é necessária”. - E, justamente com a gratidão, que não falte todos os dias a tua súplica pelos que ainda não O conhecem ou não O entenderam.


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Quando procuravam “pescar-te”, perguntavas a ti mesmo onde é que conseguiam aquela força e aquele fogo que tudo abrasa. - Agora, que fazes oração, percebeste que essa é a fonte que ressuma em torno dos verdadeiros filhos de Deus.


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Desprezas a meditação... Não será que tens medo, que procuras o anonimato, que não te atreves a falar com Cristo cara a cara? - Bem vês que há muitos modos de “desprezar” este meio, ainda que se afirme que se pratica.


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Oração: é a hora das intimidades santas e das resoluções firmes.


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Como era bem pensada a súplica daquela alma que dizia: - Senhor, não me abandones; não reparas que há “outra pessoa” que me puxa pelos pés?!


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Voltará o Senhor a acender-me a alma?... - Afirmavam-te que sim a tua cabeça e a força profunda de um desejo longínquo, que talvez seja esperança... - Pelo contrário, o coração e a vontade - excesso de um, falta da outra - tingem tudo de uma melancolia paralisante e hirta, como um esgar, como uma troça amarga. Escuta a promessa do Espírito Santo: “Dentro de brevíssimo tempo, virá Aquele que há de vir e não tardará. Entretanto, o meu justo viverá de fé”.


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A verdadeira oração, aquela que absorve o indivíduo por completo, é favorecida não tanto pela solidão do deserto como pelo recolhimento interior.


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Fizemos a oração da tarde no meio do campo, já perto do anoitecer. Devíamos ter um aspecto um tanto pitoresco, para um espectador que, não soubesse do que se tratava: sentados no chão, num silêncio apenas interrompido pela leitura de uns pontos de meditação. Essa oração em pleno campo, “pressionando com força” o Senhor por todos os que vinham conosco, pela Igreja, pelas almas, foi grata ao Céu e fecunda: qualquer lugar é apto para esse encontro com Deus.


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Gosto de que, na oração, tenhas essa tendência de percorrer muitos quilômetros: contemplas terras diferentes daquelas que pisas; diante dos teus olhos, passa gente de outras raças; ouves línguas diversas... É como um eco daquele mandamento de Jesus: "Euntes docete omnes gentes" - ide e ensinai a todos os povos. Para chegares longe, sempre mais longe, mete esse fogo de amor nos que te rodeiam; e os teus sonhos e desejos se converterão em realidade: antes, mais e melhor!


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A oração transcorrerá, uma vezes, de modo discursivo; outras, talvez poucas, cheia de fervor; e, talvez muitas, seca, seca, seca... Mas o que importa é que tu, com a ajuda de Deus, não desanimes. Pensa na sentinela que está de guarda: não sabe se o Rei ou Chefe de Estado se encontra no Palácio; não está informado do que este faz e, na maioria dos casos, essa personagem não sabe quem lhe monta a guarda. - Nada disto acontece com o nosso Deus: Ele vive onde tu vives; ocupa-se de ti; conhece-te e conhece os teus pensamentos mais íntimos... Não abandones a guarda da oração!


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Olha que conjunto de razões sem razão te apresenta o inimigo, para que abandones a oração: “Falta-me tempo” - quando o estás perdendo continuamente -; “isto não é para mim”, “eu tenho o coração seco”... A oração não é problema de falar ou de sentir, mas de amar. E ama-se quando se faz o esforço de tentar dizer alguma coisa ao Senhor, ainda que não se diga nada.


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“Um minuto de reza intensa; isto basta”. - Dizia isso um que nunca rezava. - Compreenderia um apaixonado que bastasse contemplar intensamente durante um minuto a pessoa amada?


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Este ideal de combater - e vencer - as batalhas de Cristo somente se tornará realidade pela oração e pelo sacrifício, pela Fé e pelo Amor. - Pois então... vamos orar, e crer, e sofrer, e Amar!


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A mortificação é a ponte levadiça, que nos permite a entrada no castelo da oração.


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Não desfaleças: por mais indigna que seja a pessoa, por mais imperfeita que venha a ser a sua oração, se esta se eleva com humildade e perseverança, Deus a escuta sempre.


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“Senhor, eu não mereço que me escutes, porque sou mau” - rezava uma alma penitente. E acrescenta: “Agora... escuta-me "quoniam bonus" - porque Tu és bom”.


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O Senhor, depois de enviar os seus discípulos a pregar, reúne-os na volta e convida-os a ir com Ele a um lugar solitário para descansar... Que coisa não lhes perguntaria e contaria Jesus! Pois bem..., o Evangelho continua a ser atual.


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Entendo-te perfeitamente quando me escreves a respeito do teu apostolado: “Vou fazer três horas de oração com a Física. Será um bombardeio para que `caia' outra posição, que se acha do outro lado da mesa da biblioteca..., e que o senhor já conheceu quando esteve aqui”. Lembro-me da tua alegria, enquanto me ouvias dizer que entre a oração e o trabalho não deve haver solução de continuidade.


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Comunhão dos Santos: bem a experimentou aquele jovem engenheiro, quando afirmava: “Padre, em tal dia, a tal hora, o senhor estava rezando por mim”. Esta é e será a primeira ajuda fundamental que temos de prestar às almas: a oração.


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Habitua-te a rezar orações vocais, pela manhã, ao vestir-te, como as crianças. - E terás mais presença de Deus depois, ao longo da jornada.


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Para que os empregam como arma a inteligência e o estudo, o terço é eficacíssimo. Porque, ao implorarem assim a Nossa Senhora, essa aparente monotonia de crianças com sua Mãe vai destruindo neles todo o germe de vanglória e de orgulho.


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“Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados...” Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe. E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!


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Uma triste forma de não rezar o terço: deixá-lo para o fim do dia. Quando se deixa para o momento de deitar-se, recita-se pelo menos de má maneira e sem meditar os mistérios. Assim, dificilmente se evita a rotina, que afoga a verdadeira piedade, a única piedade.


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Não se pronuncia o terço somente com os lábios, mastigando uma após outra as ave-marias. Assim mussitam as beatas e os beatos. - Para um cristão, a oração vocal há de enraizar-se no coração de modo que, durante a recitação do terço, a mente possa adentrar-se na contemplação de cada um dos mistérios.


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Sempre adias o terço para depois, e acabas por omiti-lo por causa do sono. - Se não dispõe de outros momentos, reza-o pela rua e sem que ninguém o note. Isso te ajudará também a ter presença de Deus.


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“Reze por mim”, pedi-lhe como faço sempre. E respondeu-me espantado: “Mas está-lhe acontecendo alguma coisa?” Tive de esclarecer-lhe que a todos nos acontece ou ocorre alguma coisa em qualquer instante; e acrescentei-lhe que, quando falta a oração, “passam-se e pesam mais coisas”.


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Renova durante o dia os teus atos de contrição: olha que se ofende a Jesus sem parar e, infelizmente, não O desagradam a esse mesmo ritmo. Por isso venho repetindo desde sempre: os atos de contrição, quantos mais melhor! Serve-me tu de eco, com a tua vida e com os teus conselhos.


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Como enamora a cena da Anunciação! Maria - quantas vezes temos meditado nisso! - está recolhida em oração..., aplica os seus cinco sentidos e todas as suas potências na conversa com Deus. Na oração conhece a Vontade divina; e com a oração converte-a em vida da sua vida. Não esqueças o exemplo de Nossa Senhora!


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